domingo, abril 29, 2007

Se me surgisses

Talvez – não sei – se regresse um dia ao nosso lugar
Ou: ando aflita a ter por certa essa recordação
Nunca sei dizer se posso amar e parar de recordar
Sei que serias o meu lugar: és o meu lugar a dizer não.
É isto o amor?
Vou beber um copo de vinho que seria branco, contigo
Arranho a língua com os dentes magoados de sangue
e vendo-te muito cansado de te veres em tudo o que sigo
pergunto, muito alto: é isto o amor?
Dizes que sim, e dizes: minha querida. Minha querida?
Começo a chorar, muito choras tu, passo-te o copo sem cor
E a tua boca muita amável acede em beber vinho tinto
Mas eu só vejo a tua boca, que nunca dirá a palavra amor
Por isso procuro a mesma coisa na tua imobilidade antiga
E pergunto, baixinho: pode ser isto, o amor?

3 comentários:

Anónimo disse...

Se amar é sofrer, eu concordo...se amar é ser feliz, então ainda não sei o que é isso!

lua de inverno disse...

que se transmute o vinho, o conceito, a palavra sussurrada entre dentes ou acariciada entre línguas; o amor, no fim, é simplesmente o que dois estranhos tornados cúmplices se (con)cedem um ao outro.

Anónimo disse...

Minha querida Isabel.
Li hoje pela primeira vez o teu blog. Como dizia a Rita M. no Expresso, sempre escreveste bem...eu também me lembro bem.
Gostava que um dia encontrasses o que procuras. Gostava de te sentir feliz.
Como numa noite quente no chapeu de sol.