domingo, abril 01, 2007

ainda não é hoje que os ossos saem do lugar deles, tão depositados, ferrugem, aqui, num cotovelo, onde a vontade se encolhe toda a dizer que não quer ler, nem escrever, nem pensar, nem escrever;
uma sinfonia, alguém a construir por eles alguma coisa, a crescer, numa lágrima arrancada a custo o sentido de se ser gente, gente, que esgotada a palavra pessoa;
compassos aflitos, ou não: pausas para a nossa aflição ganhar um lugar.
o vazio.
o lugar.
os anos que faltam encurtam-se subitamente e vê-se uma vida numa régua, muito pequena, e nada a fazer para trás, a doer de fora a brevidade e a incógnita do futuro, ou antes: o presente a esfumar-se numa lágrima arrancada a custo.

4 comentários:

O Exactor disse...

Caríssima,
Já li o livro e digo-te que estás entre Kerouac e Proust! Por falar nisso, ou ler outra vez "Os Subterrâneos". Parabéns!

Alexandre disse...

Olá!!!

Ando a ler «Pessoas Só».

Boa Páscoa! Beijinhos!!!

cereja disse...

Lugar e vazio.
Doi quando são o mesmo sítio.
Quando se está lá.

patrícia disse...

só existe a dor no lugar onde um dia houve a felicidade...onde não houve nada, nada pode existir...