Terça-feira, Julho 24, 2007

Belgrado

E depois há uma música
Que é sempre a mesma
Que são muitas outras
Que é sempre a mesma
Que eras sempre tu
E depois disseste-me com a voz nas pálpebras:
Eu não tenho esses séculos de fronteiras
Eu não tenho a paz de saber das minhas memórias
Eu não sou eu até que me não doa a casa magoada do meu tio
E a grávida morta porque morta antes a mulher do assassino
E por isso dizias-me, sem uma lágrima na voz:
Isto é só isto é a dor da identidade;de que falas, Isabel?

E depois agarravas uma viola e era uma outra voz
Que era sempre a mesma
Que eram muitas outras
Que era muito tua
E o som da tua voz inutilizava o significado das palavras
Que não entendo
E que me dizia tudo
Um tiro de raízes ciganas, muçulmanas, croatas, albanesas
E as tuas, isso que projectava a pergunta: de que falas, Isabel?
Os olhos cerrados de um sérvio a recuar aos sons
Que eram tantos
Que eram muitos outros
Que terão sido sempre aqueles
Cantados antes que gritados
Ou chorados
Ou sangrados
De que falas, Dragan?
E tu a dizeres: eu preciso de tempo
E que fosse a partir de um sítio com o nome de lugar novo
E assim a dizeres-me, de viola na mão, que precisas de viver
Com a paz muito sofrida da palavra eu

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

eu digo-te que hoje é mais um passo
e tu olhas-me como se isso fosse o teu nome
eu digo amanhã e já não sei de ti

zech

Agosto 08, 2007 6:52 PM  
Anonymous Anónimo said...

Onde andas Isabel? Não tens escrito ...

Agosto 13, 2007 12:16 PM  
Anonymous Anónimo said...

It is strange to see familiar name in the poem in the language you cannot understand.

Agosto 28, 2007 3:15 PM  
Blogger Isabel Moreira said...

i will, some day, translate it.

Agosto 31, 2007 3:52 PM  

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