quinta-feira, julho 10, 2008

Sonhos II

Um amor vindo de longe interrompe-se por um amor vindo de uma distância um pouco menos distante. Dilui-se a imagem do primeiro e arranha a pele dos braços para inverter a diluição. Não consegue e por isso recorre ao vício de um terceiro homem, pedindo: beija-me para que todos se afastem e com eles o medo de morrer amando. Ao fundo, uma andorinha desenha a sua vida no céu negro e azul, sem uma nuvem branca que acuda a sua desesperança. O amor antigo ressurge e tem um nome. Começa a chorar e encosta os braços ensanguentados nas costas que conhecia tão bem, tão bem, e diz: ajuda-me a amar sem medo. Ou: beija-me para que o vício do terceiro homem se dilua e com ele o medo de nunca emergir do pântano que é um pânico e que se chama morte lenta nos braços de ninguém. Começa a chorar e encosta os braços ensanguentados nas costas que reconhece tão bem, tão bem, e diz: eu.