tag:blogger.com,1999:blog-33473826.post-64789275493084285642008-07-10T10:54:00.001+01:002008-07-10T10:56:17.123+01:002008-07-10T10:56:17.123+01:00Sonhos II<div align="justify">Um amor vindo de longe interrompe-se por um amor vindo de uma distância um pouco menos distante. Dilui-se a imagem do primeiro e arranha a pele dos braços para inverter a diluição. Não consegue e por isso recorre ao vício de um terceiro homem, pedindo: <em>beija-me para que todos se afastem e com eles o medo de morrer amando</em>. Ao fundo, uma andorinha desenha a sua vida no céu negro e azul, sem uma nuvem branca que acuda a sua desesperança. O amor antigo ressurge e tem um nome. Começa a chorar e encosta os braços ensanguentados nas costas que conhecia tão bem, tão bem, e diz: <em>ajuda-me a amar sem medo</em>. Ou: <em>beija-me para que o vício do terceiro homem se dilua e com ele o medo de nunca emergir do pântano que é um pânico e que se chama <strong>morte lenta nos braços de ninguém</strong></em>. Começa a chorar e encosta os braços ensanguentados nas costas que reconhece tão bem, tão bem, e diz: <em><strong>eu</strong></em>. </div>Isabel Moreirahttp://www.blogger.com/profile/00620189560295607699noreply@blogger.com